O governo brasileiro comunicou, neste domingo (25), que assumiu a representação dos interesses diplomáticos do México no Peru após os dois países terem rompido relações diplomáticas em novembro do ano passado.
O Ministério das Relações Exteriores informou que atendeu a uma solicitação do governo mexicano e que houve a anuência do governo do Peru. A medida está prevista na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961.
O tratado prevê que em caso de ruptura das relações diplomáticas um país poderá confiar a proteção de seus interesses e dos de seus nacionais, a guarda dos locais da missão, bem como de seus bens e arquivos, a um terceiro país aceitável para o anfitrião.
“A representação abarca a guarda dos locais da Embaixada do México no Peru, incluindo a residência do chefe de missão, bem como de seus bens e arquivos”, de acordo com o Itamaraty.
O Peru decidiu romper relações diplomáticas com o México no início de novembro do ano passado após o governo de Claudia Sheinbaum iniciar um processo de concessão de asilo à ex-primeira-ministra peruana.
Dias depois, o Congresso do Peru declarou a presidente do México persona non grata, citando o que considera "interferência inaceitável nos assuntos internos do país".
O ministro das Relações Exteriores do Peru, Hugo de Zela, afirmou na ocasião a jornalistas que o México havia cometido o "ato hostil" de abrir um processo de asilo para Betsy Chávez, que supostamente seria coautora da tentativa de golpe liderada pelo ex-presidente peruano Pedro Castillo.
Zela disse na época que o México divulgou “uma versão tendenciosa e ideologicamente motivada” da suposta tentativa de golpe de Estado de Pedro Castillo em 2022.
O chanceler acrescentou que o governo mexicano tentou retratar os envolvidos como vítimas de perseguição política. Castillo foi destituído do cargo e preso no final de 2022, após tentar dissolver o Congresso. A ex-primeira-ministra também enfrenta acusações criminais por seu suposto envolvimento.
Durante a presidência de López Obrador, o México apoiou Pedro Castillo mesmo após sua tentativa de dissolver o Congresso, o que levou o Congresso peruano a declarar o então presidente mexicano persona non grata em maio de 2023.
Em fevereiro de 2025, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum classificou o processo criminal contra Castillo como uma "injustiça", o que provocou a rejeição do Ministério das Relações Exteriores do Peru, que considerou que o México estava ignorando a tentativa de golpe fracassada e violando o princípio da não intervenção.
“A posição inaceitável adotada pelo México desde dezembro de 2022 permanece inalterada, apesar de o Governo do Peru ter exigido repetidamente o respeito à sua soberania e ao princípio da não intervenção em assuntos internos”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores do Peru em novembro.
Por meio do X (antigo Twitter), a presidência peruana manifestou seu apoio à decisão do ministro das Relações Exteriores, indicando que a medida responde à "intervenção repetida do governo mexicano nos assuntos internos de nossa nação".